Ex-alunos Destaques
Bruno Pucci (maio/2009)
Cenário XXI
Unicamp leva inovação à Fórmula SAE
Modelo conta com um sistema de suspensão semi-ativo por fluido magneto-reológico inédito no País
Patrícia Azevedo
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
patricia.azevedo@rac.com.br
Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) colocam na pista hoje um carro de corrida tipo fórmula com um novo modelo de suspensão. A equipe, que participa da 5ª Competição Fórmula SAE Brasil-Petrobras, desenvolveu um sistema de suspensão semi-ativo por fluido magneto-reológico inédito no País. O equipamento permite melhorar a performance nas curvas e possibilita um controle mais sensível do carro. “A suspensão também dá mais conforto e, por isso, é uma opção para os veículos de luxo”, diz o capitão da equipe, o estudante de engenharia mecânica Bruno Pucci. O sistema desenvolvido pela equipe em parceria com a empresa americana Lord custa cerca de R$ 3 mil. “Nós projetamos as molas e todo sistema elétrico envolvido a um custo barato”, diz o universitário.
Pucci explica que os acelerômetros do carro medem a aceleração e os dados são enviados para uma placa de controle da suspensão. Com isso, é gerada uma corrente com o campo magnético, que vai endurecer ou não a suspensão. “Os modelos disponíveis hoje no Brasil não têm esse controle”, explica o estudante. Mas essa não é a única inovação presente no carro criado na oficina da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp.
As principais novidades tecnológicas são a presença da opção de troca de marchas pneumáticas, o uso de peças prototipadas para redução de peso e o aumento da precisão de construção. “A carenagem foi confeccionada a partir de um esqueleto em rib-structure formado por 79 gabaritos de MDF cortados a laser seguindo modelo em desenho computacional. O conjunto de freios foi fornecido por patrocinadores argentinos e o carro possui sistema de telemetria com painel de LCD integrado no volante e a transmissão utiliza diferencial autoblocante.
O veículo tem motor quatro tempos e cilindrada de 610cm³. “A velocidade máxima pode chegar a 160km/h, mas o objetivo não é este. Até porque o circuito é muito travado e não permite grandes velocidades”, conta Pucci. “A competição é parecida com a Fórmula 1. Os carros são menores e chegam de 0 a 100km/h em menos de cinco segundos.” O modelo conta ainda com direção autoblocante, o que distribui melhor a tração entre as rodas. “O carro é muito leve e tem um desempenho parecido com o de um Porsche”, conta o capitão da equipe. O F2008 utiliza rodas de alumínio e magnésio de menos de 2,5 quilos e pneus slick especialmente projetados para a competição de Fórmula SAE.
Este é o segundo ano que os 37 universitários da Unicamp participam do evento. Na estréia, conquistaram a sexta colocação no geral e o prêmio de melhor estreante. Para a quinta edição, a expectativa é de melhorar o resultado. “Acreditamos que nossa equipe tenha condições de brigar pelo título e defender o Brasil na competição internacional (as duas equipes que alcançarem a melhor pontuação poderão representar o País em duas competições realizadas pela SAE International nos EUA, em 2009)”, reforça Pucci. Ele ressalta, no entanto, que o enfoque principal do projeto não é a competição em si, mas todo o processo de criação e desenvolvimento do carro.
Para desenvolver o veículo, a equipe da Unicamp consultou profissionais tanto das empresas patrocinadoras quanto de outras. “No entanto, quase a totalidade do conhecimento adquirido é fruto de pesquisa e esforço próprio sem a ajuda externa de terceiros. Atualmente, a equipe recebe empresas que a procuram para o desenvolvimento de tecnologias para serem implementadas no mercado brasileiro de carros de luxo ou que buscam implantar no Brasil linhas de alta performance”, diz Pucci. O universitário conta ainda que o grande ganho resultante da participação na competição é a aproximação com o mercado automobilístico. Segundo ele, membros da equipe já receberam ofertas de estágios e empregos. (Colaborou Paulo Santanna/AAN)
O NÚMERO
50 mil REAIS
É o custo total da construção do carro F2008, desenvolvido pelos estudantes da Unicamp
SAIBA MAIS
Confirma as universidades e equipes participantes:
SÃO PAULO
Associação Limeirense de Educação (Alie) — equipe Fórmula ISCA
Centro Universitário da FEI — equipe Fórmula FEI
Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) — equipe Solid Edge EESC-USP
Unicamp — equipe FSAE Unicamp
Universidade Paulista (Unip) Sorocaba — equipe Unip Racing
Unip — equipe Fórmula Unip
Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens) — equipe V8
Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Guaratinguetá — equipe Piratas do Vale
Instituto Mauá de Tecnologia — equipe Mauá Racing
RIO DE JANEIRO
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — equipe Michelin Poli
Universidade Federal Fluminense — equipe Buffalo FSAE
Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ) — equipe FSAE Cefet-RJ
MINAS GERAIS
Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-MG) — equipe Atena
BAHIA
Faculdade de Tecnologia Senai Cimatec — Equipe Fast Track
DISTRITO FEDERAL
Universidade de Brasília (UnB) — Equipe Apuama Racing
Competição vai até domingo em Americana
A 5ª Competição Fórmula SAE Brasil-Petrobras, que ocorre entre hoje e domingo no campo de provas da Goodyear em Americana (Rodovia Anhangüera, Km 128), reúne estudantes de engenharia de quatro estados e do Distrito Federal. Para participar, os estudantes precisam projetar, arrecadar fundos e construir o veículo. Durante a competição, os carros serão avaliados por especialistas da indústria automobilística desde a concepção técnica (projeto, relatórios de engenharia e inspeção técnica) até a viabilidade comercial (relatório de custos e apresentação do produto). Os veículos também enfrentarão provas dinâmicas, como prova de aceleração, frenagem, manobrabilidade, consumo de combustível e desempenho em pista. A prova mais importante é o enduro, marcado para domingo. Durante 20 quilômetros, os projetos não poderão apresentar nenhuma falha. O carro tem o tamanho reduzido e apresenta as dimensões de 3 metros de comprimento e 1,5 metro de largura. O peso é de 320 quilos com o piloto. Todo o projeto foi desenvolvido no computador para, depois, sair da teoria para a prática. Ao final do torneio, as duas equipes que alcançarem a melhor pontuação poderão representar o Brasil em duas competições realizadas pela SAE International nos Estados Unidos em 2009 e com equipes de vários países. O objetivo da competição é fomentar a especialização técnica da engenharia da mobilidade brasileira, em veículos de alta performance, já que os universitários, ao participarem do programa, projetam, constroem e testam seus protótipos, os fórmulas SAE, antes das competições. “Os estudantes são estimulados a estudar e buscar mais conhecimentos. É uma excelente oportunidade de se expor para a indústria”, afirma Leandro Siqueira, diretor geral da competição. Siqueira acrescenta que os futuros engenheiros têm contato com todo o processo, desde a criação do projeto até a obtenção de recursos. Os universitários desenvolvem ainda a capacidades de resolução de problemas reais. (PA/AAN)
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