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Ex-alunos Destaques

Ricardo José Duff Azevedo (fevereiro/2009)

Ex-aluno, escritor de literatura infantil e juvenil, ilustrador e pesquisador. Ganhador de inúmeros prêmios, colabora com ações de incentivo à leitura no Brasil, como, por exemplo, o Projeto Pé de Jabuticada, de formação de leitores por meio da literatura.

Ricardo Azevedo, escritor e ilustrador paulista, nascido em 1949, é autor de muitos livros para crianças e jovens, entre eles, Um homem no sótão (Ática), Lúcio vira bicho (Cia das Letras), Aula de carnaval e outros poemas (Ática), A hora do cachorro louco (Ática), Livro dos pontos de vista (Ática), Armazém do Folclore (Ática), Histórias de bobos, bocós, burraldos e paspalhões (Projeto), O livro das palavras (Ed. do Brasil), Trezentos parafusos a menos (Companhia das Letrinhas), O sábio ao contrário (Senac/Ática), Contos de enganar a morte (Ática), Chega de saudade (Moderna), Contos de espanto e alumbramento (Scipione), O peixe que podia cantar (Edições SM), Cultura da terra (Moderna), Ninguém sabe o que é um poema (Ática), Chega da saudade (Moderna) e Feito bala perdida e outros poemas (Ática). Ganhou quatro vezes com o prêmio Jabuti, o prêmio APCA e outros. Tem livros publicados na Alemanha, Portugal, México, França e Holanda. Bacharel em Comunicação Visual pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado e doutor em Letras (Teoria Literária) pela Universidade de São Paulo. Pesquisador na área da cultura popular. Professor convidado em cursos de especialização em Arte Educação e Literatura. Tem artigos publicados em livros e revistas abordando problemas do uso da literatura de ficção e poesia na escola.

Site: www.ricardoazevedo.com.br

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:: O Mendigo Escritor ::
Categoria: Personagens
Autor(a): Ricardo Azevedo

Fiz meus estudos no Colégio Visconde de Porto Seguro. Antigamente, o colégio ficava na praça Roosevelt. A praça, um espaço amplo, mais ou menos abandonado, com arbustos esparsos e chão em parte asfaltado e em parte de terra batida, era usada como estacionamento e, nas quartas e sábados, acho, virava uma feira livre, muito boa e movimentada. Apesar de ser uma área descuidada e indefinida, era muito melhor do que a praça de hoje, a meu ver, um monstrengo de concreto frio, desumano, desajeitado e artificial. Na praça antiga, isso na década de 60, morava um mendigo. Ficava por lá, andando para cima e para baixo, seguido por um séqüito de vira-latas. Vi esse homem todo santo dia durante anos, com sua barba grisalha, seus olhos claros e uma espécie de meia enterrada na cabeça. Era uma figura estranha e bonita. Costumava sentar-se numa mureta, perto da rua Gravataí, cruzava as pernas com elegância e, puxando um papel enorme do bolso do paletó, punha-se a escrever com um toco de lápis. Às vezes parava e, sério, mostrava o texto para os cachorros. Lembro que os animais levantavam-se e parece que liam aqueles escritos com um certo interesse. Quando ficava cansado, o mendigo dobrava e guardava o papel no bolso e partia vagaroso pela praça, seguido por seus companheiros caninos, examinando as nuvens concentrado e pensativo, com os braços cruzados nas costas.

http://www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=168

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